sábado, 21 de novembro de 2015

Uma questão de carácter

Cada um absorve e vive a vida de uma forma particular, mas, por alguma razão muito bizarra, é comum que se vejam indivíduos usando as próprias réguas para medir os outros. Posts e mais posts de brigas virtualmente homéricas tentam mensurar qual a dor é que maior e quem merece mais atenção. Uma estupidez sem fim, que renderá tanto fruto quanto discutir o sexo dos anjos.
O curioso é que a grande maioria dos que esbracejam contra tudo e todos parecem se contentar com os seus discursos despropositados. Param por aí. Criticam o governo, as empresas privadas, os cidadãos que não sabem votar, os partidos, a corrupção e qualquer pessoa que ouse cruzar-lhes os caminhos.
Agir, que é bom mesmo, nada.
A mesma pessoa que profere moralidade e baba regras na internet costuma não perceber que a única possibilidade de fazer com que a esse cenário tenha alguma chance de melhorar é olhar para dentro.
De que adianta comprar mil brigas na internet e depois pegar o carro, dirigir pelo acostamento, tratar mal o porteiro, deixar  lixo na rua, ou não devolver o troco que veio errado?
De que adianta criticar a corrupção nas licitações e depois vender sentenças, atestados médicos, monografias, carteiras de estudante ou comprar peças furtadas de carros?
Desejas um mundo melhor? A não ser que queira devotar a sua vida a combater frontalmente o Estado Islâmico, as milícias, as quadrilhas de tráfico e toda essa barbárie organizada, o jeito é agir no microcosmo individual, procurando ser bom, honesto, íntegro, propagador de consciência e educação.
Que de tanta tragédia e horror possam surgir reflexões profundas, sinceras e transformadoras.


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