domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cake



Só nos curamos de um sofrimento depois de o conseguir suportar até ao fim.  Tendo como mote a dor da perda e uma incrível distância sobre a arte do despertar novamente à vida, o director Daniel Barnz, consegue realizar um trabalho bastante competente, cheio de sentenças verdadeiras que acontecem no mundo actual, mas que por vezes não conseguimos (ou  não queremos) acreditar. Cake, é uma jornada rumo às profundezas de um mar sem fim, sem melodramas, com muita verdade e que conta com uma actuação do caraças (talvez a melhor) de Jennifer Aniston.
Nesta história, conhecemos a sofrida e mal humorada Claire (Jennifer Aniston), uma advogada de meia idade que passou por um enorme trauma na vida, e não consegue se reerguer. Chata, ranzinza, vazia, vive pelos canteiros do mundo que criou, prefere afogar-se nas tristezas e lembranças escondidas do que respirar a busca por uma felicidade nova. A determinado dia, passa a ser atormentada pelo fantasma de uma mulher que conheceu num grupo de apoio e a sua vida começa a tomar outros rumos quando conhece a família dela.
Viciada em remédios contra a dor que sente no corpo mas principalmente na alma, Claire, parece levar a sua vida de maneira inconsequente, rumo a uma zona de dor e sofrimento. Sem amigos, sem marido, sem família, ela consegue fechar-se numa concha sem ter a oportunidade do despertar. É impactante a actuação de Aniston. A actriz, bastante contestada por muitos, desta vez prende a atenção do público cada vez que aparece em cena.
Silvana (interpretada pela óptima Adriana Barraza), empregada de Claire, também é um belo personagem na historia. Braço direito para as loucuras da protagonista, tenta preservar a saúde mental da sua chefe a protege-a de inevitáveis exageros. Os melhores diálogos do filme são entre estas duas personagens fortes que conquistam o público a cada nova sequência.
Perder o dom de acreditar, desistir de novos rumos nas nossas vidas, viver as dores o máximo que podemos. Quantos de nós não conhecemos histórias assim? Cake nada mais é que a verdade sobre a dor, escancarada na nossa cara, o que nos ajuda a reflectir comove do principio ao fim.

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