terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Amor versus Medo


Quem ama tem medo. Eu tenho. Toda a gente tem. É assim mesmo, sempre foi. Uns têm mais. Outros, menos. Outros tantos, quase nada. Há ainda os que morrem de pavor mas que negam. De qualquer jeito, todos os indivíduos que sentem amor, toda as almas que já amaram alguém na vida também já sentiram medo.
Há quem discorde. Aquelas pessoas especiais, dotadas do super-poder de não ter medo de nada. Eu acredito, invejo. Adoraria ser assim, mas não sou. Eu sofro de amores e medos.
Tenho aqui muito amor. Está ali, mesmo, ao lado daquela montanha de medo. Tenho mesmo. Adoraria, ah, como eu queria acreditar que “quem sente amor de verdade não tem o que temer”. Eu já acho que quanto mais amor temos, mais tememos.
Cada amor que faz de nós o nosso lar traz consigo um medo à espreita na cave. É preciso cuidar dele também. Mandar comida por debaixo da porta, abrir a janela e deixar entrar o sol. De vez em quando até soltá-lo à noite, deixá-lo errar por aí na solidão do escuro, enquanto as crianças dormem. Ele vai. O medo vai, mas volta sempre.
Quem ama, tem medo. Tal e qual os pais e as mães cheios de amor e de medo das bactérias e dos canalhas, das doenças e da maldade que ameaçam as suas crianças, os amantes também têm medo.
É o medo de ver o amor acabar como acabam a água, o leite, e a comida da despensa. Medo de não ter para onde ir buscar mais. Medo da sombra que paira no olhar da pessoa amada depois do riso, medo de não ser aceite, medo das conversas pontuadas de silêncios tensos.
Há quem sinta medo de deixar o medo travar-lhe as pernas e endurecer-lhe o coração. Medo de se permitir paralisar. E há aqueles que sentem medo de não perceber o óbvio: aos que amam, o medo é um aviso sublime. É o alerta divino para cuidar do amor. É a consciência de que o ser amado pode partir, de que o amor poderá enfraquecer, ninguém sabe quando. Então é melhor amá-lo agora e amanhã e depois e depois e depois. Só assim o medo esmorece. E esconde-se na cave escura e solitária.
O Amor é o sentimento irmão do medo. Quem tem um, tem o outro. Pode ser pouco, pode ser muito. Mas existe sempre um medo a repousar no coração dos amantes. Ou para que serviria a tal coragem de quem ama se não há medo nenhum a enfrentar?
Então, que o amor venha cheio de medos inevitáveis. Que venha! É melhor viver com  amor e sentir medo que morrer de medo e viver sem amor.
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