quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Será isto amor?

Crescer pode assustar. De momento, ela tem mais de quarenta anos. Então ela decide começar a sair com homens mais novos que ela. Namora rapazes que têm a mesma idade da sua filha. Ela acha que é isso que faz com que se sinta mais atraente, mais desejável, mais jovem... Mesmo sendo apenas na sua cabeça. Ela não consegue admitir para si mesma que o que ela tem, de facto, é medo de envelhecer. Ao perceber agora, que tem duas filhas, e que poderia muito bem fazer dela uma avó, ela, simplesmente, faz uma careta diante do espelho perante essa perspectiva.

Ana, recentemente divorciada, necessita de um motivo para ser feliz. Namora homens mais novos, porque ela quer capturar essa efervescência uma vez que ela própria se sente como uma mulher mais jovem. Ela vai ao ginásio, vai à manicure, pinta o cabelo, tudo para parecer mais jovem e mais atraente aos olhos de homens mais novos. Ela ainda se veste como mulheres na casa dos vinte, não conseguindo perceber que as roupas provocativas fazem com que se pareça mais velha e ordinária. Durante toda a sua vida, a sua felicidade ficou presa unicamente na aparência, ela nunca teve tempo para trabalhar a sua personalidade, porque ela sempre teve essa ideia da sociedade de beleza, ou seja, a juventude.

A relação com o rapaz de 21 anos não funciona. Ele não faz exactamente o que ela quer que ele faça, ele não reage da mesma maneira que ela quer que ele reaja a ela. Ela cria algumas cenas para criar drama, porque ela é carente de afecto. Toda a sua juventude foi desperdiçada, como de tantas outras mulheres, num casamento que não a fez sentir-se amada. Gasto com a educação dos filhos, que, agora já crescidos, não precisam tanto dela quanto quando eram mais jovens, por isso ela procura consolo em relacionamentos que só têm sentido para ela. Os homens mais jovens, especialmente aqueles que nunca foram casados antes, nunca tiveram filhos, apenas não estão preparados para estes jogos dramáticos. O rapaz farto, envia-lhe uma mensagem de telemóvel a dizer que ele simplesmente não precisa de mais complicações e dramas na vida dele.

O próximo, apesar de não ser tão novo como o primeiro, está nos seus trinta. Ainda assim muito jovem. Nunca foi casado, sem filhos, muito crítico. Ela, não entende que os homens da sua idade, ou mais, talvez até os que foram casados antes, talvez divorciados há algum tempo, serão mais estáveis e confiáveis, olham para as mulheres que são bonitas por dentro. Ela não percebe que eles são mais adequados para tentar a ajudar a encontrar o amor verdadeiro, sem dramas e sem jogos. Confiável e constante, o amor forte. Mas isto, parece demasiado aborrecido para ela.

Ela odeia a ideia de namorar homens que são mais velhos, na casa dos cinquenta ou mais além, porque, para ela, isso é ela a admitir que também está a envelhecer. Mas eles seriam as melhores escolhas, melhor do que estar a tentar recapturar os anos do ensino secundário, para os anos se foram. Ela não consegue parar de lamentar pela sua juventude perdida. Os homens mais velhos andam com mulheres mais novas, pelas mesmas razões, para parecerem mais desejáveis, mesmo que eles sejam mais velhos. Mas as pessoas da sua própria idade são mais estáveis, mais estabelecidas neste jogo a que chamamos de vida. Muito mais dispostos a ser menos críticos e a permitir que eles sejam eles mesmos, e não uma imagem que eles têm nas suas cabeças. Triste é eles não aprenderem que é bom estar sozinho, por um tempo de qualquer maneira, só para ficar a conhecer-se muito melhor, saber quem são e o que querem na vida.






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