domingo, 14 de dezembro de 2014

Quando éramos companheiros.

Costumávamos ficar debaixo das estrelas juntos, frente a frente a combinar sonhos. Eu apontava para o céu estrelado e tu falavas das constelações que têm como trabalho a concessão de nossos desejos.
Chamávamos às estrelas o nosso pequeno milagre.

Enquanto esperávamos pelas estrelas para concederem os nossos desejos e preenchessem as nossas necessidades, nós chegamos a um ponto de envolvimento que mais nada importava.

Cavamos nas nossas almas, um mundo de silêncio entre nós. À medida que leiloava-mos os nossos pedaços, despojando-nos de inseguranças e dúvidas, eu notei algo estranho quando me olhas-te directamente nos olhos. A pele foi descolada, eu vi o quão profundo os teus ferimentos foram. Os ossos foram cortados, os músculos não curaram completamente.

Gritei quando te vi, porque eu nunca tinha visto essa tua parte. Eu nunca soube que estavas ferido.

Quando os teus olhos encontraram os meus, eu senti mágoa por trás deles. Tu não percebes-te. O chão abriu-se e tu afastastes-te. eu gritava "Espera! Espera". Mas já te tinhas ido, absorvido pelo solo e comido pela dor.

Eu consigo te ver agora em todo o lado.

Especialmente nas estrelas que não são mais nossas.



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