sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Filmes que me marcam

O fiel Jardineiro (The Constant Gardener)



Depois de alcançar o grande sucesso internacional com Cidade de Deus (2002), Fernando 

Meirelles foi convidado para dirigir uma produção estrangeira, O fiel jardineiro (The 

constant gardner, 2005). Com Meirelles, a adaptação do romance de espionagem de John 

Le Carré fica mais fiel ao original: carregado de suspense, tensão e crítica sócio-política.


Tessa (Rachel Weisz) é uma fervorosa defensora dos direitos humanos. Ela conhece o 

diplomata Justin Quayle (Ralph Fiennes) durante um discurso que ele fez na ONU. Ao 

questioná-lo de forma passional sobre a participação da Inglaterra na guerra do Iraque, 

Tessa excede-se. Isso aproxima-os, acabando por iniciarem um relacionamento. Ao 

saber que Justin iria ser transferido para África, pede para ir com ele. Lá, envolve-se com 

problemas de saúde do Quénia e, junto com o médico Arnold (Hubert Koundé), descobre 

uma manipulação farmacêutica de interesse económico que pode estar a matar a

população. No caminho da sua investigação, a convicta Tessa acaba por encontrar a 

morte. Justin, até então um diplomata pacato e alienado interessado em botânica e 

jardinagem, resolve descobrir o que existe por trás - e há muito - do assassinato da sua 

esposa.


A parte técnica do filme faz-se notar. A câmara age como se fosse um personagem. Às 

vezes, ela entra apressada, nervosa. Espécie de terceira pessoa na acção, em busca de  

um ângulo de visão, passeia entre os actores e objectos em cena, até encontrar lugar 

que a satisfaça. A edição também contribui nessa agilidade, ao pontuar flashbacks com o 

momento real. Adicione o visual saturado do director de fotografia César Charlone, o 

mesmo de Cidade de Deus, e tem-se uma estética muito parecida com a do filme 

brasileiro.


Esta plasticidade do cinema de Meirelles anda livremente pelas ruas do Quénia e 
carrega o filme de urgência. São imagens coloridas, granuladas, que 
contrastam com a pobreza e sofrimento. Ocorre o inverso nas cenas filmadas na 
Europa. O ambiente é opaco, acinzentado, depressivo. Todos estes elementos ajudam ao 
espectador a entender o amor que Tessa sentia pela África. A música de Alberto Iglesias
responsável pelo maravilhoso som dos filmes de Pedro Almodóvar, também colabora para 
criar o clima poético necessário para se entender como a relação de Tessa e Justin, que 
começou por acaso, se tornou tão forte.

Ralph Fiennes e Rachel Weisz estão absolutamente deslumbrantes neta trama. Não é a toa 
que são dos meus actores preferidos.
É daqueles que filmes de saltar a lagrimita. Que nos arrepiam. Emocionam. E nos fazem 
querer mudar o mundo. É dos meus filmes preferidos. 




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