terça-feira, 18 de novembro de 2014

Regras: Não falar com estranhos

Tivemos uma única regra enquanto crianças: Não falar com estranhos. Na verdade, tivemos mais regras (como por exemplo: não falar com a boca cheia ou não chatear os manos a ponto de os irritar...), mas não falar com estranhos é o que irei abordar aqui hoje.

Enquanto crianças, alguns de nós não tínhamos medo de estranhos. Eram crianças que conversavam com qualquer pessoa. Extrovertidos, simpáticos, sem medo. Muitos de nós, no entanto, continuamos com medo de estranhos. Assistimos às series policiais na televisão. Ficamos a saber sobre os males à espreita nas ruas e becos. Que no final, parece que estamos a ouvir novamente os nossos pais a pedir para não falar com estranhos.

Então nós crescemos.

Encontramos estranhos em cada esquina. No elevador, a passear o cão, no trânsito, no supermercado, no ginásio, no avião, no autocarro ou no comboio... Em todos os lugares. Enquanto alguns de nós até poderá iniciar uma conversa com alguém (aqueles que não tiveram medo de falar com estranhos em crianças, provavelmente), a maioria de nós evita o contacto visual com pessoas que não conhece. Fazemos isso ao fingir que estamos a falar ou a ler alguma mensagem importante no telefone, ao olhar para o chão, ou ao fingir que aquela parede é uma obra de arte. Não. Paredes não são interessantes. Nós evitamos o contacto visual directo com estranhos, porque se nós os vemos, eles também nos vêem, e assim somos obrigados a sorrir um para o outro. Podemos até ter de dizer Olá. E se tudo correr terrivelmente errado, nós podemos ter que ter uma conversa ou rir de uma piada idiota. Piadas sem piada nenhuma são o pior.

Porquê evitar pessoas que não conhecemos? Será porque fomos ensinados a não falar com estranhos? Foi algo que ficou enraizado em nós enquanto adultos? Às vezes, nós simplesmente não queremos ser incomodados. Talvez a maior parte do tempo. Mas porque é que é difícil sorrir ou dizer Olá a alguém? O estranho pode até sorrir de volta. E agora somos dois sorrir. E todos nós sabemos que somos mais felizes quando sorrimos um pouco. Quem não gosta de ser mais feliz? Podemos até fazer um novo amigo, ou aprender algo novo, ou abrilhantar o dia de alguém, ou até mesmo o nosso dia.

A primeira coisa que nos impede de ir atrás do que queremos (e não se trata de uma estatística precisa, mas apenas de um palpite sólido) é o nosso medo das pessoas. O medo da rejeição. O medo de como as pessoas podem reagir a nós. Estamos todos aqui na Terra a fazer a mesma coisa. Viver. As nossas ambições até podem ser diferentes, mas em última análise, é o que fazemos aqui. Sobrevivemos. Ao tentar descobrir o nosso propósito aqui na terra. E como ser feliz e sentir que somos realizados. Queremos fazer mais do que apenas existir. Viver é difícil. Há um monte de coisas feias, tristeza e perda. Mas também há um monte de beleza e de amor. Uma coisa eu sei com certeza, a coisa mais importante e significativa que temos nas nossas vidas são os relacionamentos que temos. Sem relacionamentos, são poucas coisas que realmente importam. Estamos nisto juntos. Todas as pessoas deste mundo serão perfeitos estranhos até ao dia que simplesmente deixam de o ser. Então, vamos esquecer o que os nossos pais nos ensinaram e falar com estranhos. Quem sabe se não teremos uma boa surpresa? 


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