segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Black Box

O que é ser normal?

De acordo com o dicionário, e analisando o significado da palavra etimologicamente, é algo comum, algo que não se destaca, o que é igual à maioria que esta ao seu redor. E essa é uma das primeiras perguntas com que somos apresentados. Será que o normal é algo banal? Ou ser normal é uma condição para se viver em sociedade? E antes de entrarmos nos detalhes desta brilhante série, é preciso estar ciente da dicotomia do assunto abordado.
A nova série do canal ABC, Black Box, apresenta-nos de uma forma sábia e directa, como é a vida das pessoas que possuem algum distúrbio neurológico. E a série consegue através do seu primeiro diálogo envolver-nos com a causa da personagem principal, Catherine Black (Kelly Reilly), enfrenta.

Catherine Black é uma neurocirurgiã de renome, mas que esconde de todos que sofre de transtornos bipolares. Pesquisando um pouco mais sobre o assunto, transtorno bipolar é caracterizado por alterações de humor que se manifestam como episódios depressivos alternando-se com episódios de mania (período de euforia, actividade cognitiva e física intensa e falta de auto-controle e bom senso).  Ou seja, a pessoa perde-se entre o que realmente está a viver e o que acha que está a viver. Cria situações favoráveis na sua mente como uma forma de libertar algo preso dentro si. Como podemos acompanhar na série, os momentos de euforia de Catherine são sempre bastante intensos, além desses momentos serem ligados à sua magnificência fazendo com que ela faça questão de expor o quanto é inteligente. Ela vê o seu problema como uma inspiração para desenvolver o seu trabalho.
No próprio cenário da série percebemos o nível de depressão no ar, as cores mais acinzentadas e com um aspecto fora do normal, imprime uma maior veracidade à temática proposta.

O mais interessante, inicialmente, foram as citações de Catherine daqueles que também possuíam distúrbios neurológicos, e que por terem esta disfunção, eram acima da média. Vincent Van Gogh em toda a sua vida foi magnifico nas suas obras, mas as mesmas, mais famosas, vieram quando estava recluso num hospício. Catherine deixa, não tão explicito, que prefere viver na anormalidade do que ser apenas uma pessoa comum. E muito do seu esplendor vem por possuir essa disfuncionalidade e de poder acompanhar e de compreender o que se passa com os seus pacientes.
Black Box antes de tudo, também tem o seu papel social que é informar aos ignorantes que pessoas que possuem certos distúrbios não são anormais, ou que precisam viver reclusos da sociedade, mas sim que possuem uma condição especial. O mais interessante de acompanhar a série é ver na pele da personagem principal como as crises vem e vão, algo que ela teme e até por isso, tenta afastar as pessoas que estão ao seu redor, ou melhor, criar laços. Muito disso, também apoiado por ter acompanhado a mãe que acabou por se suicidar em uma das suas crises.
É perceptível a fragilidade de Catherine nos seus relacionamentos e o quanto ela tem medo de se abrir, acabando por se decepcionar. O seu namorado Will é uma pessoa maravilhosa, mas quando Cath revelou a sua bipolaridade e o que ela faz/fez durante as suas crises, de certa forma o fez assustar. Analisando o lado dele, é complicado também lidar com essas divergências. Não podemos esquecer que Cath abusa da sua situação e não toma os remédios periodicamente, muito disso levado pelo facto de achar que está boa, mas qualquer situação que abale o seu psicológico é o motor para o seu descontrole.

Ter este tipo de problema faz com que de certa forma se fique dependente, gerando divergências entre os familiares quanto a sua “normalidade”. A família fica com um medo eminente da pessoa que possui o problema cometer algo contra si mesmo. A família de Catherine está ciente, mas a mulher de seu irmão, Reagan (Laura Fraser), sente que todas as crises de Cath são uma forma dela de ganhar a atenção de todos, fazendo com que sua relação com a filha fique desestruturada. Mas na realidade, a filha em questão, Esme (Siobhan Williams), é filha de Cath. Além da sua filha, o seu irmão,  Joshua (David Chisum), é outro que compreende o que a irmã passa.

Ao longo dos episódios iremos acompanhar Catherine lidar com seus pacientes, mas ao mesmo tempo com a sua bipolaridade. E ainda o medo que a sua carreira possa ter de ser interrompida por causa das suas crises.
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