segunda-feira, 6 de outubro de 2014

#Hádiasassim


Ando meio estranha. E aérea de tal forma que faz parecer que sou antipática. Falo com as paredes como se só elas me percebessem.
Mas todos temos fases. Eu, por exemplo, quase me hipnotizo com o horizonte. É como se eu estivesse em off. Como se o mundo e os seus rasgos e ruídos e rancores não se destacassem.
Eu não me importo.
Meio anormal. E egoísta de um jeito que faz ferir algumas pessoas sem remorsos.
A mulher anda, dando as costas para o seu mal. A primeira resposta é sempre não. A sua primeira estratégia passa sempre por ela. Ela. Ela. Eu. Eu.
E existe algum remédio para atenuar o carácter? Só a paixão. Que passa como uma mancha roxa na pele, e que, eventualmente pode voltar. 
Não dá para fugir de quem somos. Não há cura para os nossos vícios. Fugir deles não é tratamento, é cobrir os olhos para o que somos. Um pano preto cobre os espelhos de casa. Os vícios são os nossos melhores amigos. Eu sou o que eles tentam abortar e fazem esquecer por algumas horas.
Embora eu não saiba se prefira tratar deles ou da minha essência que já acreditei ser boa. Não que queira ser só uma coisa: boa. Mas sessenta e cinco por cento boa, já me tornaria alguém melhor.
Eu não sou o que quis ser. Eu sou isso, um armazém de retrocesso e angústias e remédios e auto-ajuda web. A paixão rasgou meu endereço. Deixou-me presa a mim mesma. Só para me forçar a tentar ser alguma coisa, sozinha.
É um teste diário. Ou nocturno. Porque quando é noite eu percebo que. Qual o sentido da paciência? Sou tão urgente quanto um espirro que. Posso explodir. De amor. Da falta dele. De maldade. De inveja. De mim mesma.
Ela explode. E aquieta.
Explode e aquieta. Explode e aquieta.
E quer aquietar. Porque precisa sobreviver. Talvez.



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